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Sinto. Sinto. Sinto. Sinto cada vez mais. Arranhar. Amordaçar. Desbocadas palavras que se infiltram em mim. Temer o pior, temer aquele mistério. Temer. Temer. Temer. Sinto que me rasgas por dentro, que me queimas com as tuas mãos cheias de labaredas ortográficas. Deito para trás do meu esqueleto ambulante toda a merda que me arrancou a força. Aquela força que só eu tinha. O meu olhar ficou cheio de lâminas. O meu sorriso desfez-se.
E, de súbito, como quem renasce das cinzas infernais da vida, eu voltei a sorrir. Percebi que todos nós temos um arco-iris mas que nem sempre o pintamos com as cores certas. Voltei a ser uma criança inocente que brinca naquele baloiço vermelho. Aquele baloiço que eu pintei. Aquele baloiço que me faz sonhar e ser feliz.